Licenciada em Química pela UNIGRANRIO. Montou estes jogos no estágio supervisionado e transformou a experiência no TCC. Na época, dava aula num pré-vestibular comunitário.
O que a turma precisava
No estágio supervisionado, no último ano da graduação, acompanhei duas turmas do 1º ano no terceiro trimestre. Elas estudavam ligações químicas, mas conteúdos do começo do ano, como a simbologia dos elementos, a classificação periódica e as cargas, não tinham ficado claros. A dificuldade virou uma bola de neve.
Nas pausas das aulas, conversei com os alunos e percebi que eles estavam aprendendo de forma mecânica, só reproduzindo o conteúdo. Preparei uma aula de revisão com jogos para que a turma voltasse a esses conceitos de outro jeito.
Por que jogos
A Química tem uma linguagem cheia de nomes e representações, e o aluno costuma decorar sem entender. Um jogo bem pensado liga a regra do jogo ao conteúdo: para jogar, o aluno precisa saber o símbolo, a carga ou o tipo de ligação.
Os jogos também deixam o aluno errar sem medo e trabalhar em equipe. Escolhi materiais baratos e recicláveis para que qualquer professor consiga montar os mesmos jogos.
Como a aula aconteceu
- 1Jogo da memória
Os alunos formam pares com 30 tampinhas etiquetadas: em uma, o nome do elemento; na outra, o símbolo e a carga. São 15 pares.
30 tampinhas com etiquetas - 2Rolo das ligações
Cada rolo tem um íon fixo e quatro íons que giram. O aluno segura o lado fixo, gira o outro e decide se os íons formam uma ligação iônica ou covalente.
12 rolos de papel com íons fixos e rotativos - 3Roleta dos íons
O aluno gira o spinner sobre uma roda de 20 tampinhas, cada uma com um íon. Com o íon sorteado, ele forma uma ligação na tabela. A turma joga como bingo: uma ligação correta por rodada, e vence quem completar a tabela primeiro.
Isopor, 20 tampinhas e um spinner - 4Caça moléculas
Como num caça-palavras, os alunos procuram ligações químicas escondidas na grade.
Folha de caça moléculas - 5Questionários
Cada aluno responde a um questionário sobre os conceitos e a outro sobre a aula.
“Todas as conversas eram voltadas para as atividades e posso dizer algo com muita felicidade: não parei 1 segundo!”
O que aconteceu e o que eu mudaria
Apliquei a revisão de dois jeitos. Na turma 101A, dei uma aula tradicional, no quadro. Na turma 101B, usei os jogos. As duas turmas responderam a dois questionários: um sobre os conceitos e outro sobre a aula.
Na 101A, os alunos continuaram confundindo os tipos de ligação, erraram a formação das moléculas e tiveram receio de perguntar. No questionário sobre a aula, escreveram que às vezes mudar um pouco a aula não faria mal.
Na 101B, os alunos trabalharam em equipe em todos os jogos, arriscaram respostas sem medo de errar e mantiveram as conversas nas atividades. Eu passei de grupo em grupo tirando dúvidas. Os dois tempos de aula foram suficientes e ainda sobraram alguns minutos.
Para montar os jogos para uma turma inteira, fiz 24 kits. Use tampinhas, isopor, spinners, rolos de papel, abraçadeiras, elásticos, adesivos e folhas coloridas.
Referências
CAVALCANTI, E. L. D.; SOARES, M. H. F. B. O Role Playing Game e o Ensino de Química. 2007.
KISHIMOTO, T. M. O jogo e a educação infantil. 1996.
LIMA, M. E. C. C.; BARBOZA, L. C. Ideias estruturadoras do pensamento químico: uma contribuição ao debate. 2005.
SOARES, M. H. F. B. Jogos para o ensino de química: teoria, métodos e aplicações. 2008.
Prática de Profa. Samara Costa. Edição da equipe Práticas Educacionais. Uso livre e gratuito, com crédito à autoria.